Especialista internacional aponta estratégias de controle do aumento de gastos em saúde

Consultor da Espanha, orienta setor frente às contas crescentes em virtude do envelhecimento da população, uma realidade mundial que amplia o tempo de usuários nos sistemas público e privado.

Investimento em medicina preventiva, terceirização de serviços em hospitais, modernização do sistema de compras e integração entre as administrações pública e privada. Essas são algumas estratégias contra o aumento dos gastos na saúde em decorrência do envelhecimento da população, um fato mundial. Os planos são apresentados pelo especialista em gestão de saúde da Espanha, Julio Villalobos Hidalgo, em entrevista à Bionexo.

Na Espanha, os gastos com saúde triplicaram nos últimos 20 anos. Atualmente, 8,1% do PIB (Produto Interno Bruto) espanhol é empregado na saúde. O envelhecimento da população (que aumenta o tempo em que as pessoas usam o sistema de saúde) e as implementações tecnológicas são os principais fatores que geram aumento dos gastos em saúde. Segundo Villalobos, 48% dos gastos dos hospitais são com pessoas com mais de 65 anos.

A Espanha registra os maiores índices de população idosa do mundo, ficando atrás apenas do Japão. Em 2002, 22% da população tinham mais de 60 anos e, em 2050, chegarão a 44%. Metade dos gastos das pessoas com mais de 65 anos na Espanha é com medicamentos, segundo Villalobos.

"O envelhecimento da população não é um problema, mas um fato, que representa o avanço da medicina. É um caso de sucesso, significa que as pessoas estão vivendo por mais tempo", pondera Villalobos. As taxas médias de envelhecimento da população da Espanha são superiores às médias européias. Em 2002, 20% eram maiores de 60 anos e, em 2050, serão 37% da população.

Estratégias
O especialista avalia que a infra-estrutura do sistema de saúde do Brasil e da Espanha são semelhantes, com diferenças no atendimento (aplicação de recursos). Por isso, ele aponta quatro estratégias aplicadas na Espanha para controlar o aumento dos gastos em saúde.

Segundo ele, investir em medicina preventiva é um caminho econômico, com resultados práticos. A segunda estratégia é a integração de áreas da assistência. Na Espanha, a integração da atenção primária, atenção hospitalar, atenção sociosanitária e saúde mental estão em andamento. "Isso permitirá que a população receba o melhor atendimento possível, com menor custo".

O aumento da produtividade dos sistemas públicos é a terceira estratégia sugerida por Villalobos. A rede pública precisa ampliar o planejamento, inclusive com o aperfeiçoamento do sistema de compras. A terceirização dos sistemas não-clínicos (como limpeza, compras e cafeteria) de hospitais públicos pode contribuir para aumento da produtividade e rentabilidade.

A quarta estratégia compreende aliar a administração pública com a privada, uma vez que os hospitais públicos passam a ter maior competitividade.

Investimento e financiamento
"Uma melhor atenção à saúde demanda maior investimento", frisa Villalobos ressalta que o financiamento é um dos problemas que o sistema público de saúde enfrenta. Na Espanha, o modelo de atenção à saúde é baseado no sistema público, abastecido pelos impostos. Dos gastos e investimentos espanhóis em saúde, 71% são públicos e 29% privados."Na Espanha, o sistema privado de saúde é complementar. A saúde é garantida por um direito constitucional".

Acesso à saúde
Para Villalobos, os países latino-americanos devem buscar os exemplos europeus de atenção à saúde, que têm como premissa o atendimento integral ao cidadão garantido pelo estado. É temerária, segundo ele, a tendência desses países em imitar o modelo dos EUA, que aplicam menos de 20% do PIB em saúde e deixam 40% da população sem atendimento.

Bem-estar
O aumento dos gastos em virtude do envelhecimento da população afeta toda sociedade de bem-estar na Europa, que envolve vários setores, como a educação, previdência (aposentadoria), saúde e atenção a pessoas com incapacidade (dependentes de algum tipo de serviço ou atendimento em saúde).

Na Espanha, 32% das pessoas com mais de 65 anos têm algum tipo de incapacidade e precisam de cuidados médicos ou de assistência multidisciplinar. Uma nova lei na Espanha, a Lei da Atenção à Dependência, ampliou a atenção à saúde, incluindo esse tipo de usuário do serviço público.

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